O  Boletim     

                                                                                               Editorial                                     

                            

 
 

 

 

 

 

 


Editorial também publicado na coluna “O Boletim”,

às 6as. feiras, pelo site http://www.mandandoprarede.com.br  e

pelo jornal A Hora Online www.ahoraonline.com.br

 

 

    

 

Valter Bernat é advogado, autor do site e seu editor.

Colunista do site jornalístico Mandando Pra Rede (6as. Feiras) e

 do Jornal Eletrônico A Hora Online (sábados)

 

 

                

                               

      valterbernat@oboletim.com.br

 

 

INVERSÃO DE VALORES MORAIS

 

País espantoso o nosso! Usando suas “cartas na manga”, Daniel Dantas continua livre e esquecido pela mídia, enquanto o delegado Protógenes, que o acusou de crimes financeiros e tentativa de suborno, vive um inferno astral. O delegado e o juiz que determinaram a prisão de Dantas viraram marginais! O acusado se diverte com a reviravolta do caso! O STF revelou um corporativismo além da imaginação e a PF partiu para punir o delegado que ela mesma indicou para apurar os fatos. A partir da prisão de Daniel Dantas, tudo mudou a seu favor. Cartas poderosas!

 

Total inversão de valores. Para os ministros do STF, o juiz Fausto de Sanctis e o delegado Protógenes estão errados em prender e algemar bandidos do colarinho branco e políticos corruptos. Correto está o presidente do STF, Gilmar Mendes, que na calada da noite manda soltar Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas. Quanta eficiência! Nos países desenvolvidos, os bandidos de colarinho branco (ou não) são algemados. A certeza da impunidade neste país chegou a tal cúmulo que um assaltante, por ter sido dominado e preso pela vítima, tenta entrar com um processo contra a mesma por danos morais.

 

Todas as notícias reveladoras da podridão da República na última década trazem, de alguma forma, o nome de Daniel Dantas.Tem-se também a certeza de que nossa polícia nunca foi, e tão cedo será, um exemplo de lisura processual. O que salta aos olhos é a velocidade e a eficiência dos poderes constituídos em dar total prioridade a este caso. Há milhares de cidadãos, vítimas de procedimentos inadequados, apodrecendo nas prisões, sem causar qualquer constrangimento aos magistrados. O próximo passo é indicar Daniel Dantas para a canonização!

 

Como eu disse, é impressionante a agilidade da PF na investigação de crimes, e da Justiça em julgá-los. O caso do delegado Protógenes Queiroz é um exemplo. Em pouco tempo a PF conseguiu reunir provas para indiciar o delegado, e a Justiça já se pronunciou para julga-lo o mais rapidamente possível. Parabéns a esses dois órgãos por sua presteza em promover a justiça. Mas gostaria que agissem com essa mesma presteza com os presos pela operação Satiagraha. Se o delegado errou, que seja julgado. Mas, e as pessoas presas por ele, notórios meliantes de colarinho branco? Quando serão julgados e condenados? Ninguém mais fala em Daniel Dantas e, quando fala, é para dizer que ele foi usado pelo delegado numa operação mal conduzida.

 

Assistimos sim a uma truculenta e mal-intencionada demonstração de força, à disposição de incriminados na Operação Satiagraha, para desacreditar o delegado. A população, exceto os espertalhões, sabe de que lado está a razão e qual é o caminho certo que a continuação do processo deve tomar, a quem punir e quem está por trás dessas artimanhas politico-jurídicas. Nossa suprema Justiça se recusa a ouvir o brado da sociedade, carente de uma decisão compatível com a realidade brasileira. Parece que nosso Al Capone está levando a melhor sobre nosso Eliot Ness.

 

Resumo da ópera: O delegado Protógenes está sendo execrado dentro da PF e vai ser indiciado por cinco crimes. O todo-poderoso Daniel Dantas deverá sair limpo, inocente, e com medalha de “bons serviços prestados”. As forças ocultas que agem nas altas esferas se julgam acima da lei, ficam entrincheiradas sob o manto da impunidade. É a inversão de valores morais encabeçada pela corrupção.

 

 

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