
WALTER NAVARRO, Escritor e jornalista, colunista do Jornal O Tempo - BH e roteirista publicitário. Tem sua coluna publicada também nos sites USINA DAS PALAVRAS e EL THEATRO

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Até o Lobo Mau tem medo de Virginia Wolf

Tirem as mães da sala - principalmente a minha - que o assunto hoje é calcinha, em homenagem ao Wando e sua boca de Lobo Mau.
Wando não pode morrer. Semana passada, ilustrando a crônica com uma calcinha, citei seu clássico: "Moça, teu passado é tão forte, pode até machucar"... É, coincidências não existem, mesmo!
Agora tá lá o cara, quase morrendo, num hospital de Belo Horizonte (Nova Lima para os bairristas). Apenas 66 anos e todo infartado.
Na pior das hipóteses, aceito a coleção de Wando como herança, mas a melhor ideia é o Museu Aromático da Calcinha, aqui em BH. Colaboro com meu humilde acervo. Não, não são minhas, foram como beijos de Truffaut, roubadas. Porque como já diria o general Sheridan, "calcinha boa é calcinha morta", no chão da sala, do quarto, na cama, pendurada no lustre etc.
Mas a semana foi pródiga em outras injustiças. Acompanhei tudo pela TV. Aliás, é a única coisa que faço ultimamente.
Num jornal, vi que prenderam (de novo) a Rita Lee, em seu show de despedida. Só porque ela rotulou a PM de Sergipe como "filhos de puta, canalhas e cachorros". E ainda pediu desculpas aos cachorros. Eu me desculparia também com os canalhas, principalmente os amorosos...
A PM tava dando uma geral na plateia procurando maconha e cia. Acharam baseado e alegria, segundo Rita.
Maconheiros só são chatos ao vivo. Na TV, no cinema e em piadas são muito engraçados.
Adoro a Rita, mesmo a que levou meu sorriso, mas há muito ela está meio alquebrada e senil.
Já naquele programa chatíssimo, "Saia Justa", ela só falava besteira e parecia sempre de mau humor, o que não combina com ela.
Como calcinhas, tardes e viadutos, despencaram três prédios no centro do Rio. Dois dias depois, uma cisterna explodiu no porto, matando um e ferindo dois infelizes.
Começo a ter medo do Rio.
Eu que sempre fui lá, me lixando para a violência, agora, com a cidade pacificada, ando temeroso de prédios em reforma, cisternas, bueiros, esgoto no mar e principalmente de encontrar o Michel Teló na rua, gritando em meus ouvidos: "Ai se eu te pego".
O Chico Buarque virou profeta, lembram dessa música linda? "... Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás, palavra de mulher, eu vou voltar... Pode ser que a nossa história seja mais uma quimera e pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar. Pode ser que passe o nosso tempo, como qualquer primavera, espera, me espera, eu vou voltar...".
Depois, mais de um ano depois, como sempre - febril por causa de uma infecção intestinal (diarreia daquelas de desidratar oceanos) - vi "Cisne Negro". Bom filme! Eu já sabia que tinha uma cena picante, onde a deliciosa Natalie Portman transa com outra gostosa. Mas, como o assunto de hoje é calcinha, o Oscar vai pra cena de Natalie se masturbando, na cama. Ela vira de bruços e, com a mão lá, fica de redonda bundinha pra cima, se contorcendo numa calcinha cor de rosa que vai ser Pantera lá nas minhas gavetas, viu?
Melhor só a calcinha transparente da Scarlett Johansson que abre o filme "Encontros e Desencontros".
Prefiro as calcinhas brasileiras, mesmo as do Carrefour ou Lojas Americanas; as americanas e francesas são muito grandes. De cueca bastam as minhas.
Vi muito mais filmes e outros programas. Uma entrevista com Henry Kissinger, seriados, séries e documentários. Mas um dos mais interessantes foi a reprise sobre Elizabeth Taylor que passou em março do ano passado quando ela morreu.
Como foi linda. Na juventude. No final da vida parecia a Desgraça Fortes gorda, perdão, a Graça Fortes, a graciosa nova presidente da Petrobras. Por falar nisso, agora vai! A Graça é o próprio pré-sal, a jurássica é mais feia que brontossauro batendo na mãe. Especialidade do PT.
Já a Elizabeth Taylor... Meu Deus! Que rosto! Que corpo! Que olhos! Que peitos! Casou-se umas 69 vezes, mas o preferido do harém, seu grande amor, foi Richard Burton. A vida real deles tinha as mesmas brigas terríveis que reproduziram em "Quem Tem Medo de Virginia Wolf".
Viviam entre tapas, beijos e diamantes. Trocando verdades... Verdades doem... Prefiro mentiras sinceras, senão vira aquele outro filme, "A Guerra dos Roses". E aquele outro, "The Day of Wine and Roses"? Ainda bem que as rosas não falam; já as calcinhas cor de rosa...
Bom, tá bom por hoje, né? Só me resta ir pra casa, montar um altar com calcinhas, rosas, vinhos e rezar pro Wando continuar cantando as moças.
PS: Está prontinho da Silva, meu segundo livro, "Creme e Castigo". Só não sei se mereço mais creme ou menos castigo, veremos...
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