
LIO - ELIANA DE MORAIS, Produtora de eventos, baiana, moradora de Salvador, ex publicitária, turismóloga, tem um curso de eventos, professora da Pós-Graduação em gestão e organização de eventos das Faculdades Olga Mettig e arrisca textos. Possui um site para cursos de eventos:
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Namorados para sempre
Um dos melhores filmes que vi no ano passado e foi pouco comentado. Ao contrário do que o título em português sugere não é a história de um amor eterno. É a história de um amor. Ponto.
O título brasileiro do filme. “Namorados Para Sempre” tenta enganar o espectador que busca um romance comum. O título original é “Blue Valentine”, uma expressão americana que significa algo como “namorado triste”,
Protagonizado, muito bem, pelos atores Michele Williams e Ryan Gosling, o novo lindinho e queridinho de Hollywood e claro, da América, o filme conta a história de um casal, Cindy e Dean, que se apaixonam quando ela está grávida de outro, um babaca, e ele assume a paternidade de uma maneira incondicional. Como todo amor, no início, é tudo lindo e muito romântico. Mas, sabem como é, o cotidiano, os vícios, as responsabilidades, as pressões, a família, a falta de dinheiro, de perspectiva, enfim, a vida, não permite, que sejam namorados para sempre.
O amor começa a desandar e vemos na tela a morte lenta e inexorável do amor. E a morte do amor nos deixa arrasados. Então é assim? Não tem jeito? Puxa...
O filme é incômodo para quem curte o amor romântico, esse ideal surgido nas últimas décadas do Século XVIII e que perdurou em grande parte do Século XIX e sobrevive até hoje graças principalmente ao cinema e a dramaturgia.
Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo, centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o Século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do Século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu. (Fonte: Wikipédia)
Histórias de amor é o tema preferido das artes em geral e em particular do cinema mundial principalmente o de Hollywood. E quem não gostaria de viver um romance como os de Hollywood? Fazendo par romântico com George Clonney? Com final feliz?
Mas encontrar a pessoa certa, ser correspondido, iniciar o relacionamento e sustentá-lo até o fim da vida, ou pelo menos que seja eterno enquanto dure, está cada dia mais difícil. O filme “Namorados para sempre” também tem essa fantasia, mas cenas paralelas mostram uma linha do tempo que desmorona e coloca o amor na vida cotidiana e aí, ele não aguenta o tranco.
Conhecemos o casal jovens e cheios de paixão, não apenas um pelo outro mas pela vida, a vida toda pela frente. Os anos passam... e os reencontramos casados, o amor acabou, a separação é inevitável e nos perguntamos: o que aconteceu?
Não há quem não se identifique com a morte de um amor e sentimos toda a dor e amargura dos personagens. Ficamos pensando: será que esse amor não poderia ser salvo? Tinha tudo para dar certo! E o mais dolorido: não há culpados.
Tudo isso vai contra o cinema americano comercial que estamos acostumados, com final feliz, o que é chato e previsível. Mesmo incomodados e com uma mistura de sentimentos em relação ao filme, gostamos de ver a verdade, pelo menos, a verdade defendida no filme.
O mais interessante é constatar que, assim como na vida real, o comportamento de um ou do outro que antes era uma bobagem agradável, com o passar do tempo, torna-se insuportável e o que era uma qualidade, vira um defeito. Como a imaturidade de Dean, por exemplo. Antes era um charme, depois um peso difícil de carregar. E por aí vai...
Enfim, um filme para lembrar que o amor é lindo mas nem tudo são flores. E quando o amor acaba, nunca é fácil para ninguém. Mesmo embalado com a trilha sonora de Grizzly Bear, uma banda americana de indie rock, fofa.
PS: Ryan Gosling, mesmo feio, é lindo.
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