Gollo

LUIZ AUGUSTO GOLLO, Jornalista e escritor. Colunista dos sites: Mandando pra rede e
Tocantins notícias . Mantém o blog Visão Crítica


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Futuro promissor

Nada me permite fazer qualquer ilação sobre o episódio – afinal, eu cruzava a sala quando a matéria no telejornal me chamou a atenção: um deputado federal do PP do Acre foi detido na operação rotineira da Lei Seca em Brasília com várias doses acima do permitido no sangue. Louve-se seu comportamento de cidadão comum, ao soprar o bafômetro, se identificar só quando solicitado na 2ª Delegacia Policial, da Asa Norte, e arcar com civilidade com as consequências do seu comportamento. Por um momento, pensei que estava nos Estados Unidos, onde cenas assim são comuns em Washington e nem sempre vão para a televisão.

Foi só um momento, um átimo, milésimos de segundo, talvez, porque logo a imagem do Mercedes Benz modelo esportivo e negro como a densa noite na floresta acreana me remeteu a uma infinidade de raciocínios e deduções sobre o parlamentar de 33 anos de vida e exemplo de sucesso como engenheiro, empresário e político profissional. O deputado é sobrinho do ex-governador Orleir Cameli titular de nada menos de seis CPFs diferentes, denunciado nos anos 90 por compra de votos, contrabando, fraude fiscal, exploração de mão de obra escrava e apontado ainda como integrante do cartel de cocaína no Acre.

Mas o sobrinho pode não ter nada a ver com o tio, pode até ser da banda sadia da família e sequer ter recebido nem um telefonema pela passagem do aniversário. O partido, no entanto, deriva do antigo PPR do ex-governador e está na berlinda já há alguns meses desde o começo das denúncias contra o agora ex-ministro Mário Negromonte, que retornou à cadeira de deputado federal e senta-se ao lado do jovem colega, a quem com toda certeza empresta irrestrita solidariedade, porque sabe bem como é essa coisa de jornal, quando promove campanha “infundada, sem consciência e sem conteúdo” contra uma personalidade política idem.

Gladson Cameli, o promissor representante do Acre, está apenas no segundo mandato seguido de deputado federal. Em 2006 recebeu 18.886 votos e quatro anos depois saltou para 32.623, quase o dobro. Mas nada em comparação com a evolução de seu patrimônio declarado à justiça eleitoral, de 446,7%. Eu escrevi “justiça”? Perdão, leitores.