![]()
![]()

Yvonne Dimanche, escritora por prazer e
Uma das primeiras
colaboradoras de O Boletim
![]()
SÃO PAULO
Amigos, tendo nascido
em uma cidade grande e bastante complicada, o meu critério de beleza é bastante
questionável.. Querem um exemplo? Gramado. É para mim uma linda e grande casa
de boneca, mas eu jamais conseguiria morar lá. Dessa forma, vez por outra
falarei sobre as cidades que eu gosto (ou não). Hoje a homenageada será São
Paulo.
Fui a São Paulo ainda
garota pela primeira vez e não sei dizer se gostei ou não porque fui do
aeroporto direto para a casa de amigos do meu pai. A casa tinha tudo que uma
criança poderia gostar e praticamente não saí de lá. Por volta dos 20 anos fui
sozinha para fazer um curso e fiquei muito assustada com o tamanho. Não gostei
de absolutamente nada. Gente esquisita com cara de bicho papão.
Posteriormente, quando
tinha 22 anos fui lá fazer uma visita a uma amiga que tinha acabado de sair do
Rio para trabalhar na USP. Seu gostoso apartamento ficava em Pinheiros em uma
rua linda e aprazível. Conheci os seus amigos, curti muito, inclusive a vida
noturna. O único senão é que no último dia fui a uma festa com uma amiga dessa
amiga e ela tão logo chegou, saiu com um rapaz que tinha acabado de conhecer
para ir transar (tentem imaginar essa situação para uma moça como eu era).
Fiquei sozinha e não houve uma única pessoa que chegasse perto de mim para
falar uma palavra qualquer. Retorna a garota, de banho tomado e cabelos
molhados, e lá fomos nós para a casa de minha amiga. Odiei aquela
desconsideração e naturalmente São Paulo também.
No ano seguinte,
conheci uma moça que foi ao Rio participar de um evento no banco onde eu
trabalhava e ela me convidou para passar um final de semana em sua casa. Falei
com ela sobre o meu trauma com relação à cidade e ela jurou de pés juntos que
iria fazer de tudo para desfazer a má impressão. E realmente fez.
Prá
começar, não fiquei na casa dela e sim em um apartamento imenso cheio de jovens
de outros estados que foram tentar a vida na cidade e se juntaram para pagar um
único aluguel. Todo mundo maravilhoso. Não só os que lá moravam como também os
amigos que freqüentavam o apartamento. Todos muito duros e por essa razão,
ficamos enfurnados no local tomando cervejas, comendo coisinhas gostosas,
ouvindo música até não poder mais e rindo bastante. O único passeio que fiz foi
ir a uma feira em pleno domingo. Feira mesmo de legumes, verduras e frutas. E foi ali ao ver aquelas pessoas que eu captei o espírito da
cidade. Aquele não era um programa qualquer, era “O” programa. Tinha gente de
todo o Brasil, jovens e velhos. Tinha música, pastel, bagunça e gente animada.
De noite, quando fui para o aeroporto e reparei mais uma vez nas pessoas que
andavam pelas ruas, passei a adorar a cidade.
Voltei
diversas outras vezes e todas as viagens que
fiz foram muito agradáveis. Não voltei à feira, aliás, nem sei onde fica, mas
conheci outros lugares ótimos. Curto absolutamente tudo, até mesmo a feiúra que
existe em alguns locais. O que mais me atrai é justamente o povo. São caras e
culturas completamente diferentes e esse caldeirão de misturas é o maior
patrimônio da cidade. Os paulistanos (nativos ou não) são muito mais fechados
do que os cariocas, mas eu penso que quando a gente capta a energia do lugar, a
conversa deslancha. Nunca tive problemas com motoristas de táxi, informações
erradas ou descortesia de alguém. Até mesmo o meu "s" chiado e o
"r" carregado foram motivo de gozações carinhosas por parte de uma
senhora dona de cantina que me pedia a todo momento
para dizer determinadas palavras só para rir depois.
Tenho tido saudades,
gostaria de ter ido no primeiro semestre, mas não foi
possível. Pois é, São Paulo não tem a beleza estonteante de muitas das cidades
brasileiras, é triste em determinados momentos, mas tem um charme que é impressionante,
especial e único.
Um
viva para São Paulo!
Clique aqui para ver a coluna anterior
![]()