O  Boletim

 

                                        Coluna  da  Yvonne                     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


                                 Yvonne Dimanche, escritora por prazer e

                                 uma das primeiras colaboradoras de O Boletim

 

                

                          

                             yvonne@oboletim.com.br

 

 

HIPOCRISIA

 

Não sei se é exclusividade brasileira ou não, mas aqui todos os assuntos são levados à exaustão pela mídia. Quando vai chegando o final do ano, já começam as notícias sobre as piran.., ops, as moças que vão desfilar nas escolas de samba cariocas. Chega janeiro e pior fica, porque além de contarem tudo sobre o carnaval, ainda temos que tomar conhecimento do que os participantes do Big Brother andam fazendo. Enquanto isso, não sabemos de coisas boas que seres humanos de verdade têm feito por aí. Aliás, não vou me estender nessa conversa, visto que já toquei nesse assunto na semana passada.

 

A moda agora é a eleição americana. Meu Deus do Céu!!! Eu sei muito bem que não podemos deixar de dar importância ao que acontece naquele estranho país acima da linha do Equador, mas será que há necessidade de tomarmos conhecimento de tudo que os candidatos democrata e republicano fazem? Enquanto isso, eu deixo de saber o que aconteceu de importante lá na Escandinávia.

 

Tudo bem, se tem que ser assim, o que posso fazer? Essa semana me deliciei com o ocorrido com a governadora do Alasca, Sarah Palin, que foi a escolhida para ser a vice do John McCain. Eu que não estava lendo mais nada, comecei a devorar todas as notícias sobre a tal mulher. Bonita, mãe de cinco filhos, sendo que o mais novo tem cinco meses e Síndrome de Down. Dizem ser uma excelente política e governa o seu estado com mão de ferro. Bom, para mim ela é uma pessoa completamente retrógrada e cheia de defeitos. Prá começo de conversa, faz parte daquela associação dos rifles que defende a idéia de que todo americano tem o direito legal de ser um assassino em potencial.

 

Além disso, é fanática religiosa, contrária ao sexo antes do casamento e outras coisas mais que vocês com certeza devem ter uma idéia. Só que a vida é muito mais sábia do que qualquer convicção pessoal e passou uma rasteira na mulher: sua filha, de tenros 17 aninhos, engravidou do namorado. Interessante, não?

 

Bom, isso foi visto como algo errado pelos republicanos e a mulher passou a ser crucificada. Li depoimentos de mulheres que fazem parte do grupo "Tradição, Família e Propriedade" que praticamente jogaram a mulher no inferno. Se ela não consegue cuidar do quintal da casa dela, como é que pode ser vice-presidente? Vejam bem, eu me deliciei com essa história, mas o que tem a ver uma coisa com a outra? Fiquei meio dividida, porque parte de mim se recusa a aceitar seres humanos rigorosos, no entanto a outra acha que a vida pessoal de uma pessoa não tem nada a ver com a pública.

 

Caso fosse americana, eu não votaria em nenhum candidato republicano, seja ele gente fina ou não, mas acho que esse exagerado puritanismo daquele povo simplesmente abominável. Basta alguém se candidatar a alguma coisa que logo descobrem que o fulano fumou maconha, a beltrana deu prá meio mundo quando era mocinha e por aí vai. Eles parecem não terem se dado conta de que o mundo tem que evoluir de um jeito ou de outro.

 

Sempre menciono dois casos quando converso com amigos ou escrevo sobre assuntos do tipo. O primeiro deles é Winston Churchil que foi um grande beberrão, com uma vida meio desregrada, mas o maior primeiro-ministro que a Inglaterra já teve. Vocês já devem ter se dado conta do quanto eu admiro esse homem, pois é a segunda vez que menciono o nome dele (a outra foi na semana passada). Já imaginaram se ele fosse americano? Iria para o limbo rapidamente.

 

O outro caso envolve o ex-presidente François Mitterrand que foi um grande mulherengo e tinha duas mulheres fixas, fora as outras. Toda a mídia francesa sabia disso, mas nunca ninguém tocou no assunto que só veio a tona para o povo francês quando ele estava para morrer e foi acompanhado dia e noite pela filha da "outra" que era a sua preferida. No dia do seu enterro, o cerimonial francês teve a gentileza de colocar as duas "primeiras-damas" em posição de destaque. O nome disso é civilidade e respeito pelo outro. Ninguém tem o direito de julgar um político pelo que ele faz com a sua vida pessoal. Se não for pedófilo, estuprador, corrupto, ladrão, homicida ou similar, então que ele faça o que quiser quando tirar o terno dentro da sua moradia.

 

Voltando à política acima, que ela seja julgada por fazer parte da tal associação de assassinos, mas não porque tem uma filha que engravidou. Ela poderá ser uma boa política, caso seja possível.

 

Abraços e até o próximo boletim.

 

 

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