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CASSIA OLIVEIRA, natural da Baixada Fluminense,
graduando em Economia na UFRJ, estagiária do grupo de História Econômica do
IE/UFRJ, membro da AIESEC-RJ (Associação Internacional de Estudantes) e
monitora de inglês em um curso de línguas.
BLOG: www.idealinefavel.blogspot.com

PALAVRAS
PULSANTES
Eram quase 8 da noite
quando cheguei a São Paulo junto com uns amigos. Até pegarmos o outro ônibus, a
cidade já tinha escurecido e o ventinho frio não parava de bater. Embarcamos e
o ônibus partiu. Sob meus olhos curiosos, a cidade era observada. Por entre os
prédios altos e a noite iluminada, íamos passando. Os pensamentos viravam fumaça no ar. Que cidade bonita à noite! Quase 3
horas se passaram até chegarmos a uma cidadezinha. Motivo: uma conferência
nacional.
Lá estávamos em mais de
500 jovens, muitos deles com postura de líder, em meio a empresários de grandes
corporações multinacionais. A noite foi de gala. Em meio a comidas, entrega de
prêmios e aparências, um discurso tomou conta do meu coração.
Um grande representante
de uma das maiores empresas de auditoria do mundo subiu ao palco. As palmas
cessaram. A voz se ergueu. Todas as palavras fizeram, não só a mim refletir, mas como a todos os outros que lá estavam. Seu
discurso, cheio de Brasil, arrepiou.
De tudo dito, o que
marcou, certamente, foi o conselho dado, sob a forma de união, sob a forma de
sermos todos brasileiros, com a vontade ímpar de vermos nosso país caminhar
para frente. Ele falava e incentivava a nós, jovens, a sair do país, para
adquirir conhecimento, se fosse o caso; a buscar aprendizado além das
fronteiras nacionais. Mas, ao final dessas palavras, vinham as
outras mais importantes, aquelas que diziam "voltem, voltem para o seu
país, pois precisamos de vocês aqui".
Pus-me a pensar. Era
uma voz em meio a multidão de jovens de todos os
lugares do Brasil e, também, de fora. Jovens com plena capacidade de mudança.
Jovens inseridos nas melhores universidades, com grande potencial de atuação.
Jovens que lideram e liderarão a pátria amada, saindo de um sonho intenso e chegando
ao verdadeiro amor eterno.
A vontade de sair, de
viver em outra pátria, é algo que faz parte de mim. Não é por falta de amor ao
Brasil, mas sim pelo sentimento de que falta algo aqui, algo não material. Essa
também é a vontade de muitos, por diferentes motivos. Muitos saem para buscar
uma "vida melhor", mais digna, com mais dinheiro. E, da mesma forma
que esses saíram, ainda há muitos aqui que ficaram e que precisam de ajuda.
Em termos de juventude,
dou meu apoio total a todos que tenham oportunidades de vivenciar
profissionalmente o dia-a-dia em algum lugar no exterior. Que vá. Que aprenda. Que
cresça, mas que volte. Volte e acrescente aqui dentro, contribua de forma
direta para o desenvolvimento de seu país. Esse sentimento e consciência
deveriam estar na corrente sangüínea, de todos; é realmente importante.
A juventude não está
perdida. Claramente, se pararmos para analisá-la, encontraremos
exemplos péssimos. São jovens que queimaram índios, bateram em mulheres em
pontos de ônibus, mataram os pais e assim vai. Mas, por outro lado, ainda
existem aqueles que seguem suas trilhas, guiados pela razão e, de vez em
quando, também, pela emoção. Aqueles que têm vontade de constituir um futuro
com suas horas de trabalho, ou, ainda, aqueles que têm como essência se
tornarem agentes de mudança.
O nosso Brasil é
grande, aqui, de tudo há, de tudo se encontra e é por
isso que a vontade de retornar deve ser igual à esperança de melhoria, porque
se o sentimento de volta for superior, então, somente com esperança, sem o ato
em si para conservar esse sentimento, não haverá vontade que agüente.
Ao término da
conferência, essas palavras e os pensamentos conseqüentes ficaram na cabeça, na
alma. Foram palavras sábias, de incentivo, de que os jovens podem fazer muito para
melhorar, de que nossos atos não serão em vão, não são
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